A valorização de cada diferente tipo de beleza foi a grande novidade da São Paulo Fashion Week. Quando analisamos o conjunto de maquiagens (e de cabelos também) que foram apresentadas nos desfiles, percebemos que, mesmo com determinado estilo proposto para cada show, houve, em grande parte, um certo cuidado para não descaracterizar o biotipo de cada modelo. O exemplo mais forte foi o da maquiadora Amanda Schön, mais preocupada em massagear a pele para deixá-la saudável, do que com o make em si.
Também achei muito bacana a presença de mulheres maduras nos desfiles. Ronaldo Fraga trouxe a atriz e jornalista Marília Gabriela (ele já havia realizado uma coleção inteira com modelos de terceira idade e vem batendo na tecla da diversidade). Fernanda Yamamoto também apostou nisso, colocando mulheres acima de 40 anos na passarela. Acredito que isso é muito importante, porque temos que entender que a beleza não é apenas uma característica da juventude, mas de respeito ao momento de vida em que estamos e ao nosso biotipo.
De modo geral, as grifes seguiram a tendência global do make sem make, em que a pele aparece mais bem trabalhada, mas sem, necessariamente, esconder pequenas marquinhas. Gosto disso, porque acredito na beleza despadronizada e notei que mesmo as modelos dos castings não eram aquelas que só correspondem ao padrão loira, olhos claros. Viva a variedade!
As sobrancelhas penteadas para o alto, com um toque ligeiramente selvagem, são um dos pontos fortes dessa temporada. A boca tem destaque: ora com um vermelho alaranjado, ganhando destaque no rosto praticamente limpo; ora apenas hidratada ou com o batom passando como que em um movimento livre, sem a preocupação de preencher de forma perfeita os lábios.
Tons neutros, dourados, rosados e azuis são as cores de sombras eleitas dessa temporada. Um ou outro olho mais delineado ou esfumado. Mas esses apareceram pontualmente em alguns desfiles.
Não posso deixar de falar sobre dois momentos em que o make era puramente artístico — e que amei. Marcos Costa criou rostos pespontados para Lino Villaventura que ficaram maravilhosos. Divertido e irreverente, a Amapô combinou seus looks anos 80 com beleza artsy assinada pelo Lau Neves. Batom azul ou verde, desenhos geométricos transformaram o show em uma festa. Aliás, cada um do casting, composto por personalidades do Instagram, decidiu como queria que fosse sua maquiagem. Adorei, porque acho importante a gente entender que precisa se levar menos a sério e soltar a imaginação para se maquiar, aproveitando produtos, tecnologias e cores.

Desfile A. Niemeyer: o batom sem a preocupação de ser certinho

A Modem apostou tudo no look natural

Amanda Schön para Osklen também fez massagem na pele das modelos

Fernanda Yamato valorizou a beleza limpa da mulher madura

Lau Neves criou looks anos 80 divertidos

Mais beleza artsy de Lau Neves para Amapô

Apartamento 3: repare nas sobrancelhas e leve esfumado nos olhos

Vermelho alaranjado é o tom da boca. Aqui, no desfile da Beira, o acabamento é matte

No show de Fabiana Millazo, look natural e as sobrancelhas grossas e penteadas

Toque de blush na pele iluminada e boca nada de Marcos Costa para Fernanda Yamamoto

Gloria Coelho: lábios com um toque de batom nada e a aplicação não é perfeitinha

Handred por Carla Biriba: pele e boca naturais, olhos delineados e sobrancelhas selvagens

João Pimenta por Helder Rodrigues: androginia e make nada

Look anos 80 de Juliana Jabour: pele iluminada, sombra neutra e boca alaranjada

Lenny Niemeyer: make de Silvio Giorgio é clean. Só os cílios ganharam destaque

Olhos em foco: sombras rosas e azuis no show de Lilly Sarti

Como não amar esse trabalho de Marcos Costa para Lino Villaventura?

Henrique Martins e o make artístico para Reinaldo Lourenço

Nada com strass na beleza do desfile de PatBo

Marcos Costa para Ronaldo Fraga: a boca tem um pouco de cor — e é puxada para o laranja

Olha a boca laranja aí de novo: desfile Samuel Cirnansck

UMA: Vanessa Rozan apostou na valorização da beleza de cada modelo

Outro look de Vanessa Rozan para UMA