Batom e pó facial: como a maquiagem se tornou munição durante a Segunda Guerra

Tanques de guerra, munição pesada… batom e pó facial foram algumas das armas usadas durante a II Guerra Mundial. Segundo historiadores, o ato de maquiar-se era visto como um dever cívico. Na Inglaterra, o dinheiro do imposto chegou a ser distribuído para fazer anúncios convocando as mulheres a usar batom e pó facial.

 

 

Parece estranho, mas o fato é que manter-se bonita era um modo de levantar o moral dos homens que estavam em campos de batalha e também confortar as mulheres que tiveram que descer do salto alto para exercer novas funções (antes masculinas) e que , por isso, precisaram adotar roupas com corte austero em função do racionamento de tecidos. Fora isso, era sabido que o Führer não aceitava o uso de maquiagem e esmalte. E, naquele momento, qualquer coisa que fosse contra o inimigo valia, mesmo que fosse apenas para irritá-lo.

 

 

 

Com tamanho apoio, as marcas de cosméticos trataram de criar propagandas engajadas à luta. Tangee, que era um das mais conhecidao fabricantes de batons da época, iniciou a campanha “Guerra, Mulheres e Batom”, em que afirmava que o batom simbolizava uma das razões pelas quais estavam lutando: “o direito precioso das mulheres serem femininas e adoráveis sob quaisquer circunstâncias”.

Elizabeth Arden lançou um kit de make para o American Marine Corps Women´s Reserve, com uma tonalidade de batom vermelho pensada especialmente para combinar com os uniformes. Helena Rubinstein criou o batom Regimental Red e sombras com nomes como Fighting Red, Commando e Jeep Red.

 

 

O uso do batom era tão importante que até as fábricas mantinham o produto em seus vestiários para uso das operárias. Algumas chegaram a oferecer aulas de make. Acreditavam que a boa aparência ajudaria as trabalhadoras se sentirem mais femininas.

Nos EUA, o governo criou uma campanha para recrutar mulheres para os trabalhos nas fábricas. Ela era centrada na persoangem Rosie the Riveter, uma mulher dura, mas feminina. O artista americano Norman Rockwell criou até uma imagem dela — suja de graxa, mas com batom, blush e máscara de cílios.

Obviamente, com a longa duração da guerra, veio a fase da escassez. Mas as mulheres recorriam ao comércio paralelo, em que os produtos custavam caríssimo. E ofereciam produtos duvidosos como o pó facial feito de giz. Em alguns casos, recebiam embalagens de papelão apenas com as “balas” dos batons para recarga, porque o uso dos tubos de metal (que serve para armamento) foi suspenso a partir de 1942.

 

A beterraba se tornou uma alternativa para pintar os lábios de vermelho. A cortiça queimada substituiu a máscara para cílios. Vale lembrar que, como as meias de náilon também estavam em falta, as mulheres criaram um make caseiríssimo: matizavam as pernas com molho diluído e usavam lápis de sobrancelha para fazer a risca, que simulava a costura das meias da época.

 

Anúncio da Elizabeth Arden
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Eliana

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Sobre a Chloé

Trabalho como make-up artist há 12 anos e também sou consultora de imagem. Atualmente, sou Diretora Artística da rede de salões de beleza Jacques Janine e dou cursos de maquiagem na Escola Madre. E decidi criar este site e minhas redes sociais para compartilhar tendências de make-up e técnicas de maquiagem (que aprendi e continuo aprendendo) para valorizar os diferentes estilos de beleza de cada mulher.

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